quinta-feira, 19 de abril de 2007

HARD ROCK DA MELHOR QUALIDADE!

Velvet Revolver no Rio de Janeiro

Depois de abrirem para o Aersomith na quinta-feira, em São Paulo, com um show de 45 minutos, o Velvet Revolver pegou a ponte-aérea e mostrou para os cariocas o seu som ao vivo. A banda formada pelos ex-Guns N'Roses Slash (guitarra), Duff McKagan (baixo) e Matt Sorum (baterista), mais o guitarrista Dave Kushner (ex-Wasted Youth) e o vocalista Scott Weiland (ex-Stone Temple Pilots) fez um show extasiante, mas curto demais. Foram apenas 76 minutos de música com duas pequenas interrupções de 5 minutos cada. Muito pouco se comparado ao preço do ingresso, R$130 na pista.

Tirando essa frustração, o Velvet Revolver demonstrou porque o hard rock não pode ser taxado como morto. Ele continua vivo e muito bem representado, mas infelizmente alguns críticos cismam em afirmar o contrário. São os profetas do apocalipse que seguem religiosamente as paradas de sucesso e as mais tocadas nas rádios. Eles se esquecem dos jabás entre gravadoras e emissoras. Além disso, não percebem que os modismos impostos pela indústria cultural são jogadas de marketing.

O Velvet, que não tem nada com isso, fez o que sabe melhor: uma apresentação bombástica. Eles entraram às 22h26, respeitando o costumeiro atraso que sempre gira em torno dos 30 minutos. Sem dispor de cenários faraônicos ou mesmo efeitos especiais de última geração, a banda sustenta seu show na música e no carisma de seus integrantes. Eles tocaram músicas do Contraband, seu primeiro disco, e do ainda inédito Libertad, além de sucessos de seus ex-grupos e um cover.

Tudo começou como em São Paulo, com “Let it roll”, que foi seguido pelos berros de “Slash! Slash!”. O público realmente tem muito carinho pelo guitarrista, que agradeceu dando tudo de si em solos infernizantes. Para completar, pulou, se ajoelhou e correu ao mesmo tempo em que tocava seus acordes. Mas em matéria de performance ninguém protagonizou mais cenas engraçadas e esquisitas do que o vocalista Scott Weiland. O cara dançou e fez trejeitos de fazer inveja a Mick Jagger. Até na magreza excessiva os dois se parecem. Mas vale dizer que a voz de Weiland não é a mais indicada para o Velvet Revolver. Seu timbre agrada mais aos ouvintes do grunge. No hard rock, acaba dando um clima punk às canções. Ele ainda teve sua performance atrapalhada por problemas técnicos. Nas duas primeiras músicas quase não se ouvia a sua voz. Foram trocados o satélite e o microfone, o que acabou dando resultado lá pela quarta canção.

Mas isso não diminui em nada a intensidade do público. “Do it for the kids” e “Sucker train blues” foram muito bem recebidas e “Fall to pieces” levou a platéia a cantar junto. As canções novas também não fizeram feio, mas quando eles tocaram “It's so easy”, do Guns, o Citibank Hall quase desabou. Mais algumas músicas e “Set me free” marcou a saída deles do palco. Foram 55 minutos de show, muito pouco para começar o bis.

Quando os técnicos começaram a trazer um banquinho, parecia que o show ia virar acústico. A banda retornou com Slash empunhando uma guitarra de dois braços. Logo que ele iniciou os acordes de “Wish you were here”, do Pink Floyd, a platéia foi novamente ao delírio.

Mas o que parecia um set acústico durou pouco. “Used to love her”, outra do Guns, botou todo mundo para dançar e cantar. Saíram mais uma vez, o que gerou a dúvida: acabou? O Guns adorava sair do palco várias vezes e retornar, tornando o show um espetáculo de horas. E isso parecia que ia acontecer, pois o barerista Matt Sorum não demorou para retornar com um solo de bateria que lembrava muito “You could be mine”, da trilha sonora do Exterminador do Futuro 2. Foi só um aperitivo, pois em alguns segundos todos entraram e “Mr. Brownstone”, outra do Guns, foi a escolhida, emendada com “Slither”, mais uma do Contraband. Saíram mais uma vez. Mas dessa vez as luzes gerais do Citibank Hall se acenderam. Era o final. O jargão “tudo que é bom, dura pouco” tomou conta do ambiente.

A verdade é que fica evidente que o público tupiniquim é apaixonado pelo Guns, e que este foi o motivo que levou boa parte dos 3 mil presentes ao show. O Guns N'Roses é considerado a última grande banda de hard rock a pintar no cenário. Conseguiu fazer sucesso e vender milhões de discos no meio da febre grunge. E se não fosse pelas drogas e o imenso ego do cantor Axl Rose, talvez estivessem juntos até hoje. Enquanto o Guns não lança seu lendário Chinese Democracy, o jeito é curtir o Velvet Revolver. Ou esperar mais uns 20 anos, e quem sabe, se ainda estiverem vivos, uma reunion tour em prol de alguma causa humanitária, ou pura ganância.

Fonte: Omelete.com.br

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