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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Estará mesmo próximo o fim do mundo?

O final do ano litúrgico e início do período do Advento trazem uma marca característica: um tom apocalíptico. Numa linguagem carregada de símbolos as leituras deste período parecem anunciar o fim do mundo como algo iminente. Eis um desses textos: “Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas” (Mc 13, 24-25).

Com certeza muitas pessoas, mesmo cristãs, ficam um tanto perturbadas com textos semelhantes e perguntam-se: “Estará próximo o fim do mundo”? Afinal, até mesmo os apóstolos ousaram fazer esse tipo de pergunta a Jesus.

Mas uma leitura mais adequada desses textos não deixa dúvida: a mensagem cristã nada tem de apavorante. É antes uma mensagem de esperança. O mesmo Filho de Deus que se encontra na origem da criação virá um dia para completar sua obra. E nós temos a certeza de que os planos de Deus não são de destruição, mas de plenitude. Temos certeza também de que a maldade humana não será capaz de destruir os planos divinos.De qualquer forma, ainda que a curiosidade sobre o fim do mundo não seja de hoje, e ainda que hoje as pessoas sejam bem críticas, sempre há um lugarzinho para alguma especulação de caráter um tanto mórbido.

É nesse contexto que se compreende a expectativa criada em torno de um filme, carregado de sensacionalismo e fantasias. Segundo esse filme, que seria inspirado em profecias oriundas dos Maias, o fim do mundo tem data precisa: 21 de dezembro de 2012.Na trilha do mesmo filme, uma pretensa vidente, se apresentou longamente num programa de TV, garantindo ter a nítida percepção de que o fim está próximo.

A expressão do rosto de algumas pessoas do auditório mostravam claramente que elas estavam acreditando.Felizmente uma montanha de predições, no mesmo sentido, foram se acumulando ao longo da história. E elas só nos deixam mais seguros de que a única certeza é aquela que aparece nos Evangelhos: só o Pai celeste sabe quando ocorrerá a plenitude dos tempos. E Ele não enviará novamente seu Filho para destruir, mas exatamente para revelar que tudo foi muito bem feito.

Ainda que os mesmos Evangelhos nos assegurem que nem todos terão a mesma sorte, ou seja, que uns ressuscitarão para a glória e outros deverão defrontar com o Juiz Divino, podemos dormir tranquilos, desde que não queiramos substituir a Palavra de Deus por vãs fantasias humanas.

*Frei Antônio Moser.

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