segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mãe, um hino ao amor! por Gabriel Chalita

Revista Canção Nova

Conheci Juraci em uma das minhas andanças pela periferia de São Paulo. Juraci estava rodeada de gente. Havia, em seu olhar, uma expressão de leveza, de bondade. No início da conversa, confidenciou-me que o pai lhe dera esse nome porque, alcoólatra, estava “de fogo” quando foi registrá-la. E que não se lembrava se era menino ou menina. E “Juraci serve tanto para homem quanto para mulher”, justificou. O pai morreu há muito. E morreu das doenças do alcoolismo. Era muito violento e Juraci sentiu na pele as agruras desse vício. A mãe morreu antes do pai. “Morreu de tristeza”, “morreu de tristeza”, repete e insiste Juraci. “Mas era uma boa mãe. Do que me lembro, falava pouco, rezava quietinha em um canto e limpava a casa inteira, várias vezes ao dia”. E rindo, “a cas a inteira era um cômodo só”. Sua mãe chamava-se Manoelina e teve 8 filhos.

O marido de Juraci era alcoólatra e também violento como o pai. Morreu deixando três filhos. Juraci adotou mais três. E mais três de um irmão seu, também falecido com a esposa em um acidente.

As nove crianças foram criadas por essa valente mulher que trabalhava como faxineira em uma escola, durante a semana, e que, no final de semana, além das “rezas”, lavava e passava para outras famílias. Os filhos foram se formando. Cada um tomando o seu caminho. E todos eles com os traços de ternura entoados pela mãe. Na escola, era também uma mãe. Quando a conheci, estava se aposentando a “contra-gosto”. Coisas da lei. Completou 70 anos. Disse que iria trabalhar como voluntária em uma creche e que gostaria de ajudar as mães a perceberem a beleza de criar os filhos.

Juraci é uma mãe, é um hino ao amor! De uma vida marcada por dores, soube plantar um jardim florido. Diz com serenidade que nunca reclamou do calvário. A cruz tem de ser carregada. E cada um tem a sua. Seus olhos se enchem de lágrimas quando se lembra da mãe. E espera que, ao chegar ao céu, possa dar os abraços que faltaram em sua pouca existência. Com o sorriso bonito diz, “eu não tenho pressa para morrer, gosto de viver; estou pensando em pegar mais umas crianças. Os meus tão todos grandes”. Uma filha diz que não, que agora tem que cuidar dos netos. E ela sorri, “meu coração é grande, cabe muita gente”.

Essa história é uma homenagem à mulher, à mãe, a terra, à gestadora. Deus escolheu a mulher para que a semente da vida fosse fecundada. Com o corte do cordão umbilical, o leite. Depois, os ensaios das palavras e dos primeiros passos. E os risos. E os choros. E, mesmo depois de adulto, o colo da mãe é uma canção que acalma e que fortalece.

Que Maria, a escolhida, possa servir de exemplo e de sinal para todas as mães e todos os filhos. E que cumpramos a sua carinhosa ordem do primeiro milagre de Jesus: “Façam tudo o que o meu filho vos disser”. Feliz dia das mães!

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