domingo, 26 de fevereiro de 2012

A CF 2012 aponta para uma das feridas sociais mais agudas de nosso país

A Zenit teve a oportunidade de entrevistar o Secretário Executivo da Campanha da Fraternidade, Padre Luiz Carlos Dias, nesta última quinta-feira, dia 23. Nessa entrevista o padre Luiz Carlos explica aos leitores do Zenit em que consiste a Campanha da Fraternidade, os objetivos que pretende alcançar.
O padre Luiz Carlos Dias pertence à diocese de São João da Boa Vista (SP) e à província de Ribeirão Preto, e chegou à sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no dia 25 de abril do ano passado.
 
O que é a Campanha da Fraternidade para a Igreja do Brasil?
É um grande projeto de Evangelização da Igreja no Brasil que chega à sua 49ª edição. A primeira etapa é realizada no tempo da quaresma, e a segunda, de realização de projetos de transformação da realidade proposta, no decorrer do ano. É um projeto que pretende levar a Igreja no Brasil a tarefas transformadoras na sociedade, em prol da justiça e da vida. É, portanto, um belo projeto evangelizador que empenha os católicos e pessoas de boa vontade em ações transformadoras.
 
Que tipo de mudanças se espera?
Com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”, a Campanha da Fraternidade de 2012, quer suscitar em nossas comunidades e na sociedade em geral uma sadia discussão sobre a realidade da saúde pública no Brasil,  e mobilizar as nossas comunidades e a sociedade em geral em ações que resultem em melhorias no atendimento e na assistência à saúde da população.  Ao final da Campanha, intentamos levar às autoridades competentes Para que a “saúde se difunda sobre a terra”, também é necessário lembrar às pessoas que a saúde é um dom a ser preservado com hábitos de vida saudável. E, por fim, queremos dar visibilidade e impulsionar as pastorais ligadas à saúde, um autêntico tesouro de nossa Igreja, que disponibiliza cerca de 500 mil voluntários de nossas comunidades na atenção às pessoas em momento de fragilidade da saúde.
 
Há um risco na saúde brasileira?
A CF 2012 aponta para uma das feridas sociais mais agudas de nosso país e, quer dar voz ao clamor daqueles que não têm uma estrutura de atendimento à saúde nas proximidades de onde residem, o que ainda ocorre em algumas regiões, dos que enfrentam as longas filas para o atendimento e necessários exames, hospitais lotados, dos que não têm acesso aos medicamentos. São situações que contrastam com os que podem contar com serviços de planos de saúde, os quais já respondem pelo atendimento de um quarto da população, sendo que, alguns apresentam restrições das quais os usuários se darão conta somente quando recorrem a estes serviços. Além disso, são constantes as reivindicações por melhor remuneração dos serviços e salário dos profissionais da saúde pública.
Portanto, não é exagero dizer que a saúde pública no país não vai bem. E, os problemas hoje verificados na área da saúde são reflexos do contexto mais amplo de nossa economia de mercado, hoje globalizada, que não admite a iluminação ético-moral e nem o horizonte de valores sociais, ou seja, é um sistema destituído de compromissos com o povo, com as pessoas, e com a saúde, especialmente daqueles em situação de exclusão.
 
Qual é a presença da Igreja na saúde brasileira, nos hospitais, na área da saúde?
A Igreja tem um papel importante na história da saúde pública no Brasil. No início da colonização tivemos as iniciativas dos jesuítas, a seguir as Santas Casas, as quais ainda representam um terço dos leitos no país. Os religiosos e as religiosas forma presença marcante e contribuíram para um atendimento humanizado.
Hoje, se somarmos os voluntários das pastorais da Saúde, da Criança, do Idoso, da Aids, chegamos a cerca de quinhentas mil pessoas. Portanto, a nossa Igreja tem uma presença significativa, e não só pelos números, sobretudo, pelo cuidado exercido a inúmeros irmãos e irmãs em momento de fragilidade e enfermidade. Em relação aos hospitais, percebemos que em muitos a tendência é dificultar a presença da Igreja no atendimento aos pacientes, dada também a diversidade de religiões. No entanto, é bom frisar que este atendimento é um direito assegurado em âmbito internacional. Precisamos vencer as barreiras para  exercitarmos a samaritanidade junto a essas pessoas, o que é essencial à missão da Igreja.
 
Qual é a resposta que se espera de todos os católicos?
A Campanha não vem para tomar o lugar da nossa caminhada quaresmal, que é o tema fundamental: a vivência deste tempo procurando retomar a fidelidade ao discipulado e adesão cada vez mais consistente aos valores evangélicos mediante a conversão como preparação para a celebração da Páscoa, mistério central de nossa fé, é o fundamental e nada pode deve se sobrepor a este mistério. E, a Campanha da Fraternidade com suas temáticas, como a deste ano, contribui neste processo. Além disso, é preciso perceber que ações transformadoras em realidades como a saúde pública, beneficiam especialmente os mais necessitados, os pequeninos, segundo a expressão evangélica.
Mas, a satisfação de perceber uma série de sinais de movimentação e interesse nas paróquias e nas diversas dioceses por esta Campanha, a julgar pelas inúmeras formações e pela quantidade de material requisitado. Portanto, esperamos que a proposta da Campanha da Fraternidade venha contribuir para as devidas melhorias na saúde pública, para que a saúde se difunda sobre a terra.
 
Por Thácio Siqueira
Fonte: Zenit
Foto: Santuário das Graças

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