quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Teologia da prosperidade

Adoração ou tentativa de barganha com Deus? Servir a Deus ou ser servido por Deus? Honrar ou ser honrado? Ir à igreja buscar a Deus ou para ficar rico? A teologia da prosperidade é bíblica?


“Leilões da fé”: assim ficaram popularmente conhecidos os cultos, tidos como religiosos, em que se propõe a barganha com Deus, na propagação de ensinamentos do tipo ‘quem der mais será mais abençoado’: Esta é a base da pregação dos que promovem a malfadada “teologia da prosperidade”, uma proposta de se servir a Deus não por amor ou devoção, mas com a intenção de ser recompensado.

Segundo essa linha de pensamento, - que por incrível que pareça é defendida por indivíduos que se autoproclamam “cristãos”, - se você frequentar tal “igreja” e ouvir o que diz o “pastor”, pagando o dízimo e fazendo muitas ofertas, você será ricamente abençoado. Se tiver problemas conjugais, eles serão sanados. Se tiver algum desejo material, como um carro importado, uma viagem, aquela reforma da casa ou montar uma empresa, ele será realizado. Deus espera que você demonstre sua fidelidade fazendo polpudas doações financeiras; em troca, verá todos os seus desejos e vaidades serem recompensados, e viverá com saúde uma longa e próspera existência nesta terra...

Mas como essa história começou? Especialistas apontam que a teologia da prosperidade surgiu nos Estados Unidos, nas décadas de 1950/60. De acordo com o Dr. Leonildo Silveira Campos, sociólogo e professor da Universidade Metodista de São Paulo, trata-se de um conjunto de crenças “que afirma ser legítimo ao crente buscar resultados, ter fortuna favorável e enriquecer, obtendo o favorecimento divino para a sua vida material”. O teólogo Paul Freston observa que “o princípio básico da teologia da prosperidade é a doação financeira, entendida não como um ato de gratidão ou devolução a Deus pelos frutos da terra e do trabalho (como no contexto bíblico), mas como um investimento. Devemos dar a Deus para que ele nos devolva com lucro, em dobro”.

Observando de perto as propostas da teologia da prosperidade, encontramos sérios motivos para preocupação. As promessas de felicidade terrena encontram solo fértil nos países em que existe um grande nível de exclusão social, o que possibilita a manipulação de mentes e corações simples em nome da fé. Além disso, sob essa perspectiva, a religião assume a lógica do consumo e do mercado, para a qual a dignidade do ser humano depende daquilo que ele tem, e não daquilo que ele é. Isso leva à ideia, equivocada e perigosa, de que ter mais dinheiro significa ser mais amado por Deus, o que por sua vez é antibíblico e contrário à proposta e ao exemplo de vida de Jesus Cristo.

É fácil notar que a teologia da prosperidade busca transformar a sublime mensagem dos Evangelhos em apenas mais um item da malfadada cultura do consumo exacerbado, levando a uma fé individualista e egoísta, para a qual o mais importante é a felicidade pessoal, com o bem da coletividade relegado a segundo plano. A lógica da Teologia da Prosperidade se fundamenta nas promessas de sucesso material e financeiro para quem é fiel a Deus: ensina que o nível de sucesso depende do valor da contribuição financeira. Esse discurso apresenta, claramente, uma proposta de troca, de barganha entre o fiel e Deus. E como Deus não vem pessoalmente receber as doações, elas devem ser entregues àqueles que se colocam como representantes do Divino.



Famoso "bispo evangélico" prostrado
diante das pilhas de dinheiro
oferdadas durante um "mega culto":

idolatria a Mamon?
Aí estão os tristes fatos de uma realidade que vem crescendo a cada dia em nossa cidade e em nosso país. Nos bairros mais pobres de São Paulo, a cada quarteirão encontramos 3, 4 e até 5 pequenos salões ou garagens alugadas e transformadas em “igrejas”, sob as mais variadas denominações. Reflita: se a intenção desses supostos líderes espirituais é “salvar almas para Cristo” (como gostam de afirmar), e se eles acreditam mesmo no protestantismo, porque então abrem novas “igrejas” ao lado de outras já existentes? Não seria mais simples e lógico incentivar a população a frequentar as comunidades já existentes? Óbvio que o objetivo destes verdadeiros empresários da fé não é espiritual, ao contrário. Cabe aos verdadeiros cristãos a tarefa de substituir a teologia da prosperidade pela Teologia do Amor e da Gratuidade, aquela ensinada por Nosso Senhor nos Evangelhos.

Vale a pena refletir sobre um fato ocorrido na vida de Madre Teresa de Calcutá. Conta-se que certo homem, ao vê-la cuidando das feridas de um doente, comentou que não teria coragem de fazer aquilo nem que fosse para ganhar um milhão de dólares. Diante disso, a resposta de Madre Teresa foi a seguinte: “Por um milhão de dólares eu também não faria. Faço por amor.”

Só pela gratuidade do amor vale a pena buscar a Deus. Só por amor faz sentido entregar a vida a Deus e assumir a vida cristã, com todas as suas alegrias e também com os seus desafios e obstáculos, como diz o Senhor: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a cada dia sua própria cruz e me siga” (Lc 9,23). Nunca, - jamais, - Jesus disse que seus seguidores abraçariam uma vida somente de alegrias e de prosperidade, livre de todos os problemas deste mundo. Nada, feito sem amor, tem valor para Deus: o sentimento que havia em Cristo era o de intima compaixão com os necessitados - jamais o de barganha, ou seja, ofertar para receber riquezas como pagamento. E se os defensores da teologia da prosperidade alegam se basear nas Escrituras Sagradas, a melhor maneira de concluir esta reflexão é com as afirmações diretas que a Bíblia contém a respeito da questão:

"No mundo, tereis aflições. (...) Guardai-vos escrupulosamente de toda avareza e cobiça, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas."
Jesus Cristo (Lc 12, 15 e Jo 16, 33)

“Se alguém ensina outras doutrinas e discorda da sã doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo, é orgulhoso e nada entende. Esse tal demonstra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas e atritos constantes, entre os que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais pensam que a piedade pode ser uma fonte de lucro.”
Apóstolo Paulo (1 Timóteo 6, 3-5)

"Aprendi a contentar-me com o que tenho."
Paulo Apóstolo (Filipenses 4, 11)

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. (...) Se quiseres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos Céus. Depois, vem e me segue’. E o jovem, ouvindo estas palavras, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.”
Jesus Cristo (Matheus 6, 24 / 19, 21-22)

Quem tem olhos para ver, que veja a verdade... Mas não desanimemos. Nosso Deus tudo sabe e tudo vê, e um dia todos prestarão contas a Ele. Os erros existem, mas o certo existe também. Continue lendo e estudando a Palavra de Deus e ouvindo a voz da sua consciência. - continue buscando o verdadeiro caminho de Jesus Cristo. Conheça o Catecismo da Igreja Católica: busque, sempre e antes de tudo, a verdade.

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