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terça-feira, 12 de maio de 2009

Sociedade - Racismo: até quando?


Em abril de 2009, em Genebra, Suíça, foi realizada a Conferência Mundial da ONU contra o racismo. Em clima de alta tensão, diplomatas do mundo inteiro pisaram sobre ovos ao tratar de temas ásperos como sionismo e fundamentalismo islâmico, trabalho escravo e xenofobia, discriminação contra imigrantes e minorias étnicas. Chegaremos um dia a um consenso?

Um planeta dividido!!!

Os sonhos humanos de integração e fraternidade batem de frente contra o muro da realidade: somos um planeta dividido. Um dos meridianos dessa divisão – ao lado das tradições e costumes, religiões e interesses políticos e econômicos – é a questão racial. Para o sociólogo Michel Wieviorka, em pleno Séc. XXI, os Estados (e mesmo as ONGs) ainda não se desembaraçaram de seus preconceitos, nos quais o racismo está presente. Além do mais, a própria concepção de racismo foi-se alterando ao longo da história. Mesmo se a questão era discutida em nível ideológico, na prática os comportamentos discriminatórios foram aceitos até bem pouco tempo.

Após a segunda Grande Guerra, com a publicação dos crimes nazistas e o acelerado movimento de descolonização, parecia haver espaço para um consenso internacional a respeito da luta contra o racismo. Mas a história seguiu outro rumo. O entrechoque Israel x Palestina e a explosão do Islã radical viriam acentuar as antigas divisões. Na África, apesar da luta contra o apartheid, conflitos tribais (como o de Ruanda) aprofundaram as brechas nas mentes e nos territórios. A imigração e os êxodos na direção das nações ricas realimentaram as fogueiras da xenofobia, que se manifestam até mesmo nos estádios esportivos.

De olhos fechados

Uma das reações comuns diante do problema é simplesmente a fuga. Como no caso do Bispo Williamson ao negar o fato histórico da Shoah, ou de vários governos que preferiram boicotar a Conferência de Genebra, mais conhecida como Durban II (em alusão ao primeiro encontro, realizado naquela cidade da África do Sul em 2001). Na época, Os EUA se retiraram da Conferência, considerando anti-israelense a tentativa de alguns países árabes de condenar o sionismo. Desta vez, os EUA não compareceram a Genebra, diante da possibilidade de a declaração final do encontro incluir declarações que “o país não pode tolerar", conforme declaração do próprio Departamento de Estado.

O objetivo de Durban II era avaliar os resultados na luta contra o racismo desde 2001. Estados Unidos, Canadá, Austrália, Israel e Itália se negaram a comparecer, deixando claro que temiam sofrer algum tipo de prejuízo com o encontro. Em foco, as questões ligadas à situação dos imigrantes, ao trabalho escravo e aos choques de caráter religioso. Aqui e ali, erguem-se muros contra estrangeiros (EUA, Israel), editam-se proibições ligadas aos símbolos religiosos (França, Itália), minorias são alvo de autênticos genocídios (cristãos do Darfur, no Sudão).

Acolher o diferente?

Em muitas regiões, racismo e nacionalismo se confundem. Os povos que valorizam sua identidade cultural – como no Japão – reservam para os estrangeiros e mestiços um termo de caráter pejorativo: Konketsu [sangue misturado] ou half [metade]. Os filhos de casais mistos deverão optar por uma nacionalidade definitiva aos 18 anos de idade. Os japoneses chegam a sentir-se incomodados diante de um estrangeiro que fala o idioma local com perfeição e assimila cem os hábitos nacionais, pois isto questiona a idéia que eles fazem de sua identidade cultural específica.

Na última década, na Europa Ocidental, foram freqüentes os choques entre os “naturais” e os imigrantes, situação acentuada pelo desemprego decorrente da crise econômica. Nos EUA, o governo endureceu ainda mais as leis contra imigrantes ilegais, no momento em que várias regiões já utilizam o idioma espanhol em pé de igualdade com o inglês dos ianques. Os imigrantes mexicanos que residem nos Estados Unidos chegaram 12,7 milhões em 2008, sendo mais de 11 milhões sem-documentos. Diariamente, fuzil em punho, a polícia dos EUA prende e devolve ao outro lado da fronteira um grande número de “invasores”.

Em vários países, como na França, o episcopado chegou a publicar cartas pastorais que recordam o dever da hospitalidade cristã e pedem um tratamento mais humano para com os estrangeiros. Trata-se de uma empresa muito difícil, que deve enfrentar os monstros do medo e do ódio, do nojo e do desprezo, aliados à ilusão de superioridade nacional.

Na verdade, a ideia de produção deste texto remete a um problema constantemente vivido e camurflado na nossa sociedade brasileira, principalmente, na sociedade cristã, que ainda procura refutar a chance de que tais marginalizações aconteçam em um país vastamente pluralizado em termos étnicos. É necessário, em minha simplória opinião, debater com mais veemência tais questões no Brasil, inclusive socializando esta discussão no ambiente cristão, que pode sim ser responsável, por uma grande mudança de paradigmas sociais e psicológicos, vividos em uma sociedade claramente assolada por mazelas sociais que configuram vários dilemas!! O racismo existe??? SIM... A solução está próxima??? NÃO... e como Cristãos qual é o nosso papel na mudança deste quadro? Vale lembrar o evangelho:

No fundo, o lamento de Jesus: “Eu era estrangeiro e não me acolhestes”. (Mt 25,43.)

Debatam moçada!!!
Flávio Bueno

14 comentários:

  1. Eduardo01:23

    Eu até reforço Flavião!!!

    Precisamos sair da mesmisse até no processo de evangelizar!!!

    Gosto muito dessa ideia q a CNBB tem de trabalhar as questões sociais no Brasilll

    e precisamos lembrar q o racismo é uma delas!!! q precisam ser trabalhadas com maior força na igreja católica do mundo inteiro!!!

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  2. Grande Eduardoo

    sei da complexidade do tema!!!

    e sei q o racismo é tratado muito e ombros aqui no Brasil!!!

    em BSB volta e meia temos casos esquecidos de puro racismo... negros já tiveram seus quartos queimados em repúblicas da UNB e muito se falou... na época... o caso foi arquivado e nenhuma notícia sobre se dá mais!!!

    O pior de tudo... e reportando o evangelho de Mateus... essas pessoas eram migrantes... tratadas como lixo pela playbozada dominante da unb!!!

    mas o debate taí galera... kero ouvir a opinião de todos...

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  3. Com essa segregação racial, muito foi perdido ao longo dos anos. E de certa forma, religiosamente segregamos mais ainda, povos indigenas, afrodecendentes... Colocando os nossos príncipios religiosos acima dos demais. Fica aqui a reflexão para esses casos também!!!

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  4. Cris13:08

    Concordo com o Léo e com o Flávio muito foi se perdido e o pior muito ainda se esconde, quando nos referimos a questão racial no país!!!

    Não podemos como cristão nos isentar disso tudo!!!

    temos q contribuir pra q não se deixar o irmão de qualquer raça a margem da sociedade!!!

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  5. Cris13:08

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  6. Bruno22:48

    Sabe o q é pior::??? Galera!!!

    é qndo nós msmos esquecemos q a nossa origem tá no povo africano!!!

    q a origem do ser humano tá lá!!!

    Q nosso Jesus era um cara q claramente era possível ser negro... pela região q nasceu!!!

    VALE A PENA VER A VIA SACRA DO jESUS nEGRO DE sAMAMBAIA...

    Eles deixam bem explícito esta ideia!!!

    abraçosssss

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  7. Paulo18:48

    Endosso ae as palavras do Bruno...

    esquecer da origem é esquecer de ser nós msmos

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  8. Qual o nosso papel como cristãos para a mudança desse quadro??

    Dar a mesma resposta que Jesus: o amor!

    Somente assim, eu acredito, é que qualquer tipo de preconceito pode ser dissipado.

    Com o amor é que os pais, professores, ensinam o verdadeiro valor ao próximo.

    Apremder a amar com aquele que é o amor, que se faz irmãos conosco nos ensinando a chamar a Deus de "Pai Nosso"!

    Utopia??? Acho que não... mas se for, eu adoro as utopias!!

    =D

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  9. Eduardo12:42

    To com vc Amanda!!! Utopia para Cristão...

    Eu odeio qualquer tipo de preconceito...

    e acho q como cristãos temos q dá exemplo...

    Os negros são desrepeitados de todas as formas... seja economicamente, psicologicamente e até religiosamente....

    inclusive por muitos q se dizem Cristãos!!!!

    ser católico é respeitar a diferença;.;; pq Jesus respeitou o diferente, respeitou outras culturas... a colocou q todos nós independentes deraça, cultura, credo ou condição social somos filhos de Deus

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  10. Newton12:53

    "SÓ PORQUE EU SOU PRETO!!!!"
    A questão racial hoje, sem sombra de dúvidas, é a questão que mais me incomoda e sem dúvida é sobre o que mais me faz pensar. Apesar disso passei por isso...
    Tinha que ser comigo mesmo .Eu sou consultor comercial e exporadicamente atendo uma ou outra pessoa que entra no Show room da Honda automóveis. Entrou um senhor negro de +ou- 67 anos, trajando roupas bem simples e velhas, e com uma sacola nas mãos. Ele estava com barba e cabelo bem grande e realmente com uma aparência muito "mal-tratada". Ele entra, para no meio do salão e fica esperando já demonstrando um ar de "ninguém vai me atender" ou "agora eu pego eles, só pq eu estou desse jeito". O fato é que eu imediatamente fui até ele e modestia parte, dei um atendimento VIP, passando todas as informações. Ele realmente tinha condições finaceiras muito boa e era uma pessoa bem simples. No entanto, ele tinha essa paranóia de não cuidar da aparência, só pra não dar na pinta que tem grana. Além daquela velha "estratégia": - hoje eu pego o vendedor. - Eu aposto que vou entrar e ninguém vai me atender só pq eu estou de chinelo. Eu ouço isso toda semana. Mas o pior é que acontece muito mais vezes, pessoas bem arrumadas reclamarem por não serem atendidas na hora em que entram. Mas voltando ao assunto do ançião, na despedida ele solta uma para mim: " EU PENSEI QUE VOCÊ NÃO ME ATENDERIA AQUI HOJE SÓ PORQUE EU SOU PRETO".
    Eu cheguei estremecer e rapidamente "descasquei" o cliente sobre tal afirmação. Na verdade eu estava indignado por ser suspeito de algo que eu abomino e sou cuidadoso.
    No final eu o levei até a porta certo de que ele entendeu o que eu passei para ele.
    REALMENTE EXISTE A DISCRIMINAÇÃO, MAS AQUELE SENHOR NEGRO, NÃO TINHA UM ESPÍRITO PURO, DE PESSOA QUE SENTE ORGULHO DE SUA COR, QUE BUSCAVA SEUS DIREITOS. MAS TB NÃO SE TRATAVA DE UMA PESSOA DEPRIMIDA E CHEIA DE COMPLEXOS E AMARGURAS. TRATAVA-SE DE UMA PESSOA QUE ACOSTUMOU COM A CONDIÇÃO DE DISCRIMINADO E SE "PROMOVIA ENCIMA DELA". ESSA FOI A SENSAÇÃO QUE TIVE .

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  11. Anônimo14:04

    racismo é coisa de sociedade atrasada...

    infelizmente vivemos em uma

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  12. Anônimo13:02

    Nas velho... o q eu já vi de racismo dentro da igreja... aliás;; preconceito no geral;;

    já vi gente num kerendo participar da missa pq o padre era negro...

    vcs acreditam???

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  13. Anônimo09:54

    Essa é demais!!!

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  14. Anônimo20:33

    Preconceito é opinião sem conhecimento

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