quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Riqueza dos Salmos

Prezado leitor, a partir da proposta de refletir sobre a oração, o papa Bento nos introduz na riqueza dos Salmos.

O conjunto de Salmos, ou seja, o Saltério se apresenta como um "formulário" de orações, uma coletânea de cento e cinquenta salmos, que a tradição bíblica oferece ao povo dos fiéis para que se tornem a sua, a nossa oração, o nosso modo de nos dirigirmos a Deus e de nos relacionarmos com ele.

Nos Salmos podemos encontrar toda a experiência humana ao longo da história, principalmente, reflexões da antiguidade sobre a humanidade, com os seus múltiplos aspectos, bem como toda a gama de sentimentos que acompanham a existência do homem. Segundo o Papa, nos salmos entrelaçam-se e exprimem-se alegria e sofrimento, desejo de Deus e percepção da própria indignidade, felicidade e sentido de abandono, confiança em deus e solidão dolorosa, plenitude de vida e medo de morrer.

Ao observarmos, toda a realidade do crente se dirige a estas orações, que primeiro o povo de Israel e depois a igreja assumiram como mediação privilegiada da relação com o único Deus e resposta adequada ao seu revelar-se na história. Enquanto orações os Salmos constituem manifestações da alma e da fé, em que todos se podem reconhecer e nos quais se comunica aquela experiência de particular proximidade de deus, à qual cada homem é chamado, nos diz Bento XVI.

O Papa afirma que nos salmos estão toda a complexidade do existir humano que se concentra na complexidade das diversas formas literárias dos vários salmos: hinos, lamentações, súplicas individuais e comunitárias, cânticos de ação de graças, salmos sapienciais e outros géneros que se podem encontrar nestas composições poéticas. Ele nos introduz em uma nova forma de rezar! Os Salmos ensinam a rezar. O santo padre afirma que a Palavra de Deus se transforma em palavra de oração — e são as palavras do salmista inspirado — que se torna também palavra do orante que recita os salmos.

É importante falar que os salmos são palavra de Deus, por isto, quem os recita fala a Deus com as palavras que o próprio Deus nos concedeu, dirige-se a Ele com as palavras que ele mesmo nos doa. Deste modo, recitando os salmos aprendemos a rezar. Eles constituem uma escola de oração.

O papa Bento nos fala que o senhor Jesus, na sua vida terrena, recitou com os salmos, eles encontram o seu cumprimento definitivo e revelam o seu sentido mais pleno e profundo. As orações do Saltério, com as quais se fala a Deus, falam-nos Dele, falam-nos do Filho, imagem do Deus invisível (cf. Cl 1, 15), que nos revela completamente o rosto do Pai.

Portanto o cristão, recitando os salmos, reza ao Pai em Cristo e com Cristo, assumindo aqueles cânticos numa nova perspectiva, que tem no mistério pascal a sua última chave interpretativa. O horizonte do orante abre-se assim a realidades inesperadas, e cada salmo adquire uma nova luz em Jesus Cristo, e o Saltério pode resplandecer em toda a sua riqueza infinita.

Por Pe. André Lima
Coordenador da Comunicação da Arquidiocese de Brasília e
Superintendente do Sistema Nova Aliança de Comunicação

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